terça-feira, 3 de julho de 2007

Caminhantes fazem seus caminhos


Estive pensando em algumas coisas...espero que não se desvie, apenas me ouça: Penso que levei a sério meus primeiros passos na teologia. Vinha de um tempo de mudanças externas, sem saber que elas refletiriam as mudanças interiores. Cortei os cachos, deixei o furo na orelha se fechar, e parei de beber cerveja. As calças rasgadas nas barras, davam lugar para as calças sociais, simples camisetas eram substituídas por gravatas...pronto, já podia ir para o seminário!Cheguei ao meu exílio em Pindamonhangaba-SP em fevereiro de 2000, cheio de sonhos e acredite: crente! O que eu não sabia, era que o seminário me “desviaria”. Logo de cara, uma crise: a teologia da razão pura ou a teologia de razão prática, esses dois estados são muito fortes em mim, ora sou pragmático, querendo resolver as coisas por impulso; ora sou detalhista demais, querendo digerir tudo com calma. Assim, fui desenvolvendo minha própria teologia, o que é resultado desses dois estados em mim, o que posso chamar de “teologia prática racional” ou simplesmente “teologia chokitiana”.Já no meio de minha caminhada ibadiana, muitas crises se instalavam. Entre poesias, canções, teologias e academicismo, fui me tornando o que sou hoje. Foram escolhas tomadas por mim, e não posso culpar ninguém por isso. Dessa forma não há como se desculpar em nada e ninguém. Cada um deve se responsabilizar pelas decisões tomadas e encará-las até as últimas conseqüências.No Ibad ainda, descobri que não “conhecia Deus”, procurei-O mas não O encontrei, de crise em crise, de intriga em intriga e meio sem querer Ele me encontrou no caminho como já meu professor Alan, dizia ser o melhor: “Caminhantes não tem caminhos, caminhos se fazem ao caminhar...”Desde minha saída do Ibad tenho vivido a dialética da angústia e da alegria. “tentei” ser pastor, um fracasso. “tentei” sair da igreja, ela não saiu de mim. Talvez seja preciso aprender a conviver com os fracassos, ou só com fracassos e isso pode ser vitória!Como não podia contar minhas crises na “igreja”, me fechei. Assustado, achei que eu era único a acreditar nessas coisas e dessa maneira, comecei a ler e pela Graça de Deus me deparei com homens, como Caio Fabio, Ricardo Gondin e Ruben Alves. O susto foi embora e a força chegou como quem não tem muito tempo, para avisar o máximo de pessoas que: “O tempo da Graça chegou!!!!”Hoje, caminho fazendo meu caminho pelo caminho, nesse caminho encontrei, “o lugar de misericórdia”, que em hebraico significa Betesda. Bem sugestivo para quem quer pregar a graça! O que o caminho me reserva pela frente? Não sei. Mas como um caminhante que faz seu caminho, caminhando; eu sigo na direção do inesperado, na direção das coisas que não se vêem, mais que das coisas que se esperam. Pela fé caminho, sabendo que se Deus já me deu tantas coisas boas, coisas ainda maiores virão! Afinal, “nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano, o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”.

Primavera de 2004,

Alexsandro F. de Souza
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