segunda-feira, 16 de março de 2009

Renascimentos



“igual a todo brasileiro, às vezes caio, mas eu me levando...”
Marcelo D2 in Sou Ronaldo.

“...e assim se alguém está em Cristo é nova criatura...e tudo se fez novo...”
Bíblia –Novo Testamento II Coríntios 5.17

Renascimentos sempre nos impressionam. Neste final de semana assistimos ao enésimo “renascimento” do Ronaldo “o fenômeno”. Eles, diziam os jornais, “...está acabado”. Uma grave contusão o afastou dos gramados, das competições, dos dribles desconcertantes, dos gols espetaculares e o aproximou da prostituição, das baladas, dos escândalos. O corpo forte e magro deu lugar a um corpo pesado e um sorriso apagado.
Quem de nós ao ver a entrevista do Vice-presidente da Republica não se emocionou frente as suas fortes declarações, de perseverança, força, determinação, confiança e gratidão a Deus pela recuperação!? Acho lindo estas expressões que incluem...”da República”...evoca poder, autoridade, nobreza, força...mas, o vice-presidente José Alencar, sucumbiu a uma doença devastadora aos 70 e poucos anos. O câncer lhe consumia o vigor e tudo mais que alguém possa ter de bom e saudável.
Passei por uma, inesperada, cirurgia no início de 2009. Sempre tive saúde excelente. Orgulho-me eou me orgulhava disso. Quando experimentei as dores de uma, possível, diverticulite no final de 2008, imaginava que os sintomas sumiriam com os antibióticos e o exame de colonoscopia seria a prova inconteste disso e tudo não passaria de um grande susto.
Não foi assim que aconteceu. A colonoscopia confirmou a doença e o que se seguiu foi a internação, preparação e cirurgia. Plenamente confiado aos cuidados do “meu” médico, em nenhum momento questionei o diagnostico/prognostico. Profissional pleno de qualificações humanas, emocionais e técnicas. Mas, o pós operatório foi terrivelmente nauseante...passei momentos desesperança, fragilidade, sensação de morte, abandono...
Quando sai das altas dosagens de antibióticos tudo mudou. Tudo mudou! Os sintomas, rápida, mas gradualmente sumiram...
Fui inundado por um sentimento de gratidão muito intenso. Passei os dias seguintes, de internação, num misto de dor/amor. Ria e chorava copiosamente, os sentimentos de gratidão, alegria, contentamento se fizeram presentes de um jeito muito forte...acho que nunca, antes, havia sentido Deus tão presente em minha vida. Nasci de novo! Impossível ignorar tão grande livramento...
Incrível o jeito como os meus pacientes estão lidando com isso. Uma delas abandonou o tratamento de 4 anos por torpedo! Não foi capaz de vir a uma última sessão para conversarmos pessoalmente. Preferiu o impessoal, o “quase” anônimo, o “quase” incógnito... teve medo de minha humanidade!?
Mas, fica decretado que a partir de agora, como se não fosse antes, minha humanidade.
Sou, apesar, das projeções obvias e esperadas mais humano como, talvez, nunca tenha sido. Sinto-me mais forte, mais leve, mais alegre, mais feliz, mais agradecido...menos presunçoso, menos prepotente, menos desconfiado...mais vivo!
Ainda não sei como vou lidar com isto tudo. Sei que meu patrimônio, meu latifúndio emocional/afetivo parece ter se ampliado.
Como diria Martha Medeiros...Non Stop! Reconstruir-se, reordenar-se, reorganizar-se se faz necessário. O mito do sobre humano reside em todos nós. O mito deve ser sempre presente. Necessitamos dele para construção e desconstrução do nosso ser, nossa personalidade, nossa psique (alma).
Cada experiência deveria nos ensinar. Cada ensinamento deveria ser aprendido. Cada aprendizado deveria nos tornar melhor. Mas, isso também pode se tornar um mito...
Creio ser possível desmistificar pessoas, coisas, situações...
Vencedores e perdedores têm dentro de si o herói, o vilão, o mocinho e o bandido, a vida, a morte, Cristo, Adão (antítipos, os contrários), o Ghandi, o Buda, o Dart Veder, o Ronaldo, o José Alencar...
Gostaria de reverter isso tudo, de bom, que estou sentindo, experimentando, aos meus amores...Ana, Nathan, Gustavo, Thales, meus irmãos (as), amigos (as), pacientes, minhas ovelhas, ex-alunos (as)...sinto que não devo mistificar este sentimentos...assim,parafraseando um ditado franciscano: “ama o tempo todo e se der tempo diga alguma coisa...”

Campo Grande, 09 de março de 2009

Autor:
Mario Balduino Oliveira Junior é Psicólogo, Teólogo – Desenvolve trabalho clínico com Adolescentes e Adultos. Atua na área acadêmica nas disciplinas de Psicologia do Desenvolvimento, Psicologia da Educação e Filosofia. Atualmente é redator da Secretaria de Educação Cristã da IPI do Brasil escrevendo para pré-adolescentes e adolescentes.

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