terça-feira, 16 de setembro de 2008

O indesejado efeito fariseu

FONTE: Revista Carta Capital

Aparentemente, a eleição para presidente nos Estados Unidos tem algo em comum com a brasileira. O efeito fariseu, como é chamado, poderá ser uma das grandes armadilhas criadas pela candidatura de Sarah Palin como vice na chapa republicana. É uma pena que no Brasil ainda seja incipiente.

O apelo religioso é quase sempre bem-sucedido em eleições, principalmente em comunidades mais conservadoras. Porém, quando esse apelo é exagerado, desencadeia uma rejeição ao candidato que usou a religião para melhorar a própria imagem. O protesto do eleitor e a resposta nas urnas são descritos por psicólogos como o efeito fariseu.

A North American Journal of Psycology apresenta um artigo escrito por Larry Powell e pelo brasileiro Eduardo Neiva, ambos da Universidade do Alabama em Birmingham, em que os autores descrevem a saga do pré-candidato Roy Moore nas prévias do Partido Republicano. Moore utilizou sua religiosidade como principal diferencial entre os outros candidatos. Nos EUA, o tiro saiu pela culatra, e o desempenho ficou aquém das expectativas. A explicação dos psicólogos é que cada vez mais os americanos querem assuntos de religião separados dos da política.

Em agosto deste ano, uma pesquisa de opinião mostrou que a rejeição ao uso eleitoral da religião foi mais acentuada nos últimos quatro anos e ocorreu, principalmente, entre os eleitores conservadores. A postura antiaborto de Palin é tida como uma convicção religiosa. Mas, com receio de desencadear o efeito fariseu no eleitorado republicano, ela evitou em seu discurso qualquer termo religioso.

Por aqui, nas eleições municipais, há candidatos ligados a igrejas que pregam no horário eleitoral e exigem fidelidade dos eleitores como se fosse um dízimo. É esse mesmo abuso da religião que decretou a derrota de candidatos nos Estados Unidos. Esperemos que o eleitor brasileiro tenha essa visão e não vote nos fariseus.
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